Faltar ao trabalho por causa da cólica, passar o primeiro dia da menstruação de cama, tomar remédio para dor todo mês e, ainda assim, sentir dor. Muitas mulheres convivem com isso por anos achando que faz parte. Não faz. Dor menstrual intensa é um dos principais sinais de endometriose, e quanto antes ela é investigada, mais cedo o cuidado começa.
Em resumo
- A endometriose é uma doença inflamatória em que um tecido parecido com o do endométrio cresce fora do útero.
- Estima-se que atinja cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo.
- Cólica que atrapalha a rotina não é normal e merece investigação.
- O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame ginecológico, com ultrassom ou ressonância feitos por quem tem experiência na doença.
O que é a endometriose
O endométrio é a camada que reveste o útero por dentro e descama na menstruação. Na endometriose, um tecido parecido com ele cresce fora do útero, em lugares como ovários, trompas, ligamentos da pelve, intestino e bexiga. Assim, esse tecido provoca inflamação e pode formar aderências e cicatrizes, o que ajuda a explicar a dor.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, algo em torno de 190 milhões de mulheres no mundo.
Sinais que merecem investigação
- cólica menstrual forte, que atrapalha a rotina ou não melhora com os analgésicos comuns;
- dor pélvica fora do período menstrual;
- dor na relação sexual, principalmente na penetração profunda;
- dor para evacuar ou para urinar, sobretudo durante a menstruação;
- sangramento menstrual intenso;
- inchaço abdominal e enjoo;
- cansaço frequente;
- dificuldade para engravidar.
A intensidade da dor nem sempre acompanha a extensão da doença. Por isso, o sintoma importa, mesmo quando um exame anterior veio normal. Se o que mais pesa são os sintomas emocionais antes da menstruação, leia TPM forte e TDPM: quando os sintomas antes da menstruação não são normais.
Assistir no YouTubePor que o diagnóstico demora tanto
Pela estimativa da OMS, o diagnóstico leva em média de 4 a 12 anos. Parte dessa demora vem da ideia de que cólica forte é normal. Outra parte, porém, vem de sintomas que se confundem com outros problemas e de lesões que nem sempre aparecem nos exames.
Como é feito o diagnóstico
A investigação começa pela conversa: como é a dor, quando aparece, como está o sangramento, se há dor na relação, no intestino ou na bexiga e como isso afeta a sua vida. Em seguida, vem o exame ginecológico. Na consulta com a Dra. Kennya, essa conversa tem tempo: a primeira consulta dura cerca de duas horas.
Depois, os exames de imagem ajudam a mapear a doença. A diretriz da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE, 2022) indica o ultrassom transvaginal ou a ressonância magnética para apoiar o diagnóstico. Na endometriose, faz diferença que o exame seja feito com o preparo adequado e por um profissional com experiência na doença.
A videolaparoscopia, que é uma cirurgia, deixou de ser o primeiro passo para o diagnóstico. Pela mesma diretriz, ela fica para situações específicas, como quando os exames não mostram a doença e o tratamento clínico não resolve os sintomas. Um exame normal não descarta a endometriose, e o tratamento pode começar com base na avaliação clínica.
Endometriose e adenomiose
A adenomiose é uma condição parecida, em que o tecido do endométrio cresce dentro da parede muscular do útero. Ela também pode causar cólica intensa e sangramento aumentado, e as duas podem aparecer juntas. Entenda mais em Adenomiose: sintomas, diagnóstico e diferença para a endometriose.
Como é o tratamento
A endometriose é uma doença crônica e, até o momento, não tem cura. Mas tem tratamento, que busca aliviar a dor, preservar a fertilidade quando esse é um desejo e devolver qualidade de vida.
- Tratamento clínico: medicamentos para dor e tratamentos hormonais que reduzem a atividade da doença, escolhidos conforme os sintomas, a idade e o desejo de engravidar.
- Cirurgia: indicada em casos selecionados.
- Cuidado integrado: segundo a OMS, abordagens como fisioterapia e terapia cognitivo-comportamental ajudam a reduzir a dor e a melhorar a qualidade de vida.
- Planejamento reprodutivo: quando há desejo de engravidar, isso entra no plano desde o início.
Perguntas frequentes
Endometriose tem cura?
Ainda não, mas tem tratamento. Com acompanhamento, é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida.
Quem tem endometriose pode engravidar?
Pode. Muitas mulheres com endometriose engravidam. A doença, porém, é uma causa importante de infertilidade: segundo a OMS, entre 25% e 50% das mulheres com infertilidade têm endometriose. Se você deseja engravidar, isso entra no plano desde a primeira consulta.
O ultrassom de rotina mostra a endometriose?
Nem sempre. Quando há suspeita, o exame costuma ser feito com preparo intestinal e por um profissional com experiência em endometriose, ou por ressonância magnética. Ainda assim, lesões pequenas podem não aparecer.
Anticoncepcional trata a endometriose?
Alguns tratamentos hormonais, entre eles certos anticoncepcionais, ajudam a controlar a dor e a atividade da doença. A escolha depende dos sintomas, da idade, do desejo de engravidar e do histórico de saúde, e precisa de acompanhamento.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Endometriosis (nota descritiva), 2025.
- Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Human Reproduction Open, 2022.


