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Adenomiose: sintomas, diagnóstico e diferença para a endometriose

Menstruação muito volumosa e cólica forte podem ser adenomiose. Entenda o que é, como o ultrassom faz o diagnóstico e quais tratamentos existem, inclusive os que preservam o útero.
Dra. Kennya HenriquetaPor Dra. Kennya Henriqueta
Médica Ginecologista · CRM-PR 44.535 · RQE 34.171
Publicado em 26 de setembro de 2026
Adenomiose, texto do blog da Dra. Kennya Henriqueta

Trocar o absorvente o tempo todo, ter medo de manchar a roupa, sentir uma cólica forte todo mês. Muitas mulheres convivem com isso achando que é o jeito do corpo delas. Em parte desses casos, o que está por trás é a adenomiose, uma condição do útero que é parente da endometriose, mas não é a mesma coisa.

Em resumo

  • Na adenomiose, um tecido parecido com o endométrio cresce dentro da parede muscular do útero; na endometriose, fora dele.
  • As duas condições aparecem juntas com frequência.
  • Os sinais mais comuns são menstruação volumosa, cólica e dor pélvica, mas até 3 em cada 10 mulheres com adenomiose não têm sintomas.
  • O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal e, se preciso, por ressonância. Há tratamentos clínicos e opções que preservam o útero.

O que é a adenomiose

O útero tem uma camada interna, o endométrio, que descama na menstruação, e uma parede de músculo, o miométrio. Na adenomiose, glândulas e tecido do endométrio aparecem dentro desse músculo. Esses focos respondem aos hormônios do ciclo, o que ajuda a entender a cólica e o sangramento aumentado.

Não se sabe ao certo quantas mulheres têm adenomiose, porque o número depende de quem é examinada e de como: os estudos variam muito. Por muito tempo, ela foi vista como condição de mulheres acima dos 40 anos que já tinham filhos. Com os exames de imagem atuais, também é diagnosticada em mulheres jovens.

Adenomiose e endometriose

Na endometriose, o tecido parecido com o endométrio cresce fora do útero, em lugares como ovários, ligamentos, intestino e bexiga. Na adenomiose, ele fica dentro da parede do útero. São condições diferentes, mas que muitas vezes aparecem juntas: segundo a FEBRASGO, mais de 60% das mulheres com endometriose profunda grave podem ter adenomiose associada. Para entender a endometriose, leia Cólica forte não é normal: sinais de endometriose e como é feito o diagnóstico.

Sintomas

  • menstruação volumosa ou mais longa;
  • cólica menstrual forte;
  • dor pélvica fora da menstruação;
  • dor na relação sexual;
  • útero aumentado de volume, percebido no exame;
  • dificuldade para engravidar, em parte dos casos.

Sangramento intenso por muito tempo pode levar à anemia, com cansaço e indisposição.

Vídeo da Dra. Kennya Henriqueta sobre endometriose e adenomioseAssistir no YouTube
No vídeo, a Dra. Kennya fala dos sintomas de endometriose e adenomiose que costumam ser tratados como normais.

Como é feito o diagnóstico

O primeiro exame é o ultrassom transvaginal, olhando os sinais de adenomiose descritos por um grupo internacional de especialistas, os critérios MUSA, que a FEBRASGO recomenda. Quando o ultrassom não esclarece, a ressonância magnética é a segunda opção. Não é preciso cirurgia para fazer o diagnóstico.

Faz diferença que o exame seja feito por quem tem experiência em avaliação pélvica e que o pedido traga a suspeita clínica. Na consulta com a Dra. Kennya, a história do ciclo, da dor e do sangramento é detalhada, e os exames são pedidos com a suspeita já descrita.

Tratamento

O tratamento depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar. As principais frentes são:

  • Tratamento clínico: anti-inflamatórios e remédios que reduzem o sangramento, além de tratamentos hormonais, como o DIU hormonal, os progestagênios e o anticoncepcional combinado em uso contínuo. Segundo a FEBRASGO, o DIU hormonal reduz o sangramento, a dor e o volume do útero.
  • Opções que preservam o útero, para casos selecionados, como a embolização das artérias uterinas e técnicas de ablação guiadas por imagem. A maior parte dos estudos sobre elas ainda é observacional.
  • Cirurgia: a retirada do útero é o tratamento definitivo, indicada para quem não deseja engravidar e não melhora com as outras opções.

Depois da menopausa, com a queda dos hormônios, os sintomas costumam desaparecer. Não existe um tratamento que sirva para todas: o plano é construído com você, pesando sintomas, planos de gravidez e preferências.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se:

  • você precisa trocar o absorvente com muita frequência ou usar dois ao mesmo tempo;
  • o sangramento encharca um ou mais absorventes por hora, por várias horas seguidas, ou vem com coágulos grandes. Se houver tontura, desmaio ou falta de ar, procure atendimento no mesmo dia;
  • a cólica atrapalha a rotina ou não melhora com os analgésicos comuns;
  • há dor na relação ou dor pélvica fora da menstruação;
  • há cansaço fora do comum junto com menstruações volumosas.

Se os sintomas emocionais antes da menstruação também pesam, leia TPM forte e TDPM: quando os sintomas antes da menstruação não são normais.

Perguntas frequentes

Adenomiose é a mesma coisa que endometriose?

Não. Na adenomiose, o tecido fica dentro da parede do útero; na endometriose, fora do útero. As duas podem aparecer juntas.

Adenomiose tem cura?

O único tratamento definitivo é a retirada do útero. Para quem não quer ou não pode fazer a cirurgia, os tratamentos clínicos ajudam a controlar os sintomas, que tendem a desaparecer depois da menopausa.

Quem tem adenomiose pode engravidar?

Pode. A adenomiose aparece com mais frequência em mulheres com dificuldade para engravidar, mas ainda não está estabelecido que ela seja a causa. Se você deseja engravidar, isso entra no plano desde o início.

Importante: este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual.

Dra. Kennya Henriqueta

Sobre a autora

Dra. Kennya Henriqueta

Médica Ginecologista · CRM-PR 44.535 · RQE 34.171

Médica ginecologista formada pela PUCPR, em Curitiba. Da primeira menstruação à menopausa, cuida da saúde hormonal e ginecológica da mulher em consultas de cerca de duas horas, presenciais no Água Verde ou on-line.

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