Trocar o absorvente o tempo todo, ter medo de manchar a roupa, sentir uma cólica forte todo mês. Muitas mulheres convivem com isso achando que é o jeito do corpo delas. Em parte desses casos, o que está por trás é a adenomiose, uma condição do útero que é parente da endometriose, mas não é a mesma coisa.
Em resumo
- Na adenomiose, um tecido parecido com o endométrio cresce dentro da parede muscular do útero; na endometriose, fora dele.
- As duas condições aparecem juntas com frequência.
- Os sinais mais comuns são menstruação volumosa, cólica e dor pélvica, mas até 3 em cada 10 mulheres com adenomiose não têm sintomas.
- O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal e, se preciso, por ressonância. Há tratamentos clínicos e opções que preservam o útero.
O que é a adenomiose
O útero tem uma camada interna, o endométrio, que descama na menstruação, e uma parede de músculo, o miométrio. Na adenomiose, glândulas e tecido do endométrio aparecem dentro desse músculo. Esses focos respondem aos hormônios do ciclo, o que ajuda a entender a cólica e o sangramento aumentado.
Não se sabe ao certo quantas mulheres têm adenomiose, porque o número depende de quem é examinada e de como: os estudos variam muito. Por muito tempo, ela foi vista como condição de mulheres acima dos 40 anos que já tinham filhos. Com os exames de imagem atuais, também é diagnosticada em mulheres jovens.
Adenomiose e endometriose
Na endometriose, o tecido parecido com o endométrio cresce fora do útero, em lugares como ovários, ligamentos, intestino e bexiga. Na adenomiose, ele fica dentro da parede do útero. São condições diferentes, mas que muitas vezes aparecem juntas: segundo a FEBRASGO, mais de 60% das mulheres com endometriose profunda grave podem ter adenomiose associada. Para entender a endometriose, leia Cólica forte não é normal: sinais de endometriose e como é feito o diagnóstico.
Sintomas
- menstruação volumosa ou mais longa;
- cólica menstrual forte;
- dor pélvica fora da menstruação;
- dor na relação sexual;
- útero aumentado de volume, percebido no exame;
- dificuldade para engravidar, em parte dos casos.
Sangramento intenso por muito tempo pode levar à anemia, com cansaço e indisposição.
Assistir no YouTubeComo é feito o diagnóstico
O primeiro exame é o ultrassom transvaginal, olhando os sinais de adenomiose descritos por um grupo internacional de especialistas, os critérios MUSA, que a FEBRASGO recomenda. Quando o ultrassom não esclarece, a ressonância magnética é a segunda opção. Não é preciso cirurgia para fazer o diagnóstico.
Faz diferença que o exame seja feito por quem tem experiência em avaliação pélvica e que o pedido traga a suspeita clínica. Na consulta com a Dra. Kennya, a história do ciclo, da dor e do sangramento é detalhada, e os exames são pedidos com a suspeita já descrita.
Tratamento
O tratamento depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar. As principais frentes são:
- Tratamento clínico: anti-inflamatórios e remédios que reduzem o sangramento, além de tratamentos hormonais, como o DIU hormonal, os progestagênios e o anticoncepcional combinado em uso contínuo. Segundo a FEBRASGO, o DIU hormonal reduz o sangramento, a dor e o volume do útero.
- Opções que preservam o útero, para casos selecionados, como a embolização das artérias uterinas e técnicas de ablação guiadas por imagem. A maior parte dos estudos sobre elas ainda é observacional.
- Cirurgia: a retirada do útero é o tratamento definitivo, indicada para quem não deseja engravidar e não melhora com as outras opções.
Depois da menopausa, com a queda dos hormônios, os sintomas costumam desaparecer. Não existe um tratamento que sirva para todas: o plano é construído com você, pesando sintomas, planos de gravidez e preferências.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação se:
- você precisa trocar o absorvente com muita frequência ou usar dois ao mesmo tempo;
- o sangramento encharca um ou mais absorventes por hora, por várias horas seguidas, ou vem com coágulos grandes. Se houver tontura, desmaio ou falta de ar, procure atendimento no mesmo dia;
- a cólica atrapalha a rotina ou não melhora com os analgésicos comuns;
- há dor na relação ou dor pélvica fora da menstruação;
- há cansaço fora do comum junto com menstruações volumosas.
Se os sintomas emocionais antes da menstruação também pesam, leia TPM forte e TDPM: quando os sintomas antes da menstruação não são normais.
Perguntas frequentes
Adenomiose é a mesma coisa que endometriose?
Não. Na adenomiose, o tecido fica dentro da parede do útero; na endometriose, fora do útero. As duas podem aparecer juntas.
Adenomiose tem cura?
O único tratamento definitivo é a retirada do útero. Para quem não quer ou não pode fazer a cirurgia, os tratamentos clínicos ajudam a controlar os sintomas, que tendem a desaparecer depois da menopausa.
Quem tem adenomiose pode engravidar?
Pode. A adenomiose aparece com mais frequência em mulheres com dificuldade para engravidar, mas ainda não está estabelecido que ela seja a causa. Se você deseja engravidar, isso entra no plano desde o início.
Referências
- FEBRASGO. Sangramento uterino anormal (Protocolos Febrasgo). Femina, 2026.
- Harmsen MJ et al. Consensus on revised definitions of Morphological Uterus Sonographic Assessment (MUSA) features of adenomyosis. Ultrasound in Obstetrics and Gynecology, 2022.
- NICE. Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88).
- Dason ES, Chan C, Sobel M. Diagnosis and treatment of adenomyosis. CMAJ, 2021.


