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Climatério e menopausa: sinais, fases e quando procurar a ginecologista

Calor fora de hora, sono ruim, esquecimentos e mudanças no ciclo podem começar anos antes da última menstruação. Entenda as fases dessa transição e quando vale procurar avaliação.
Dra. Kennya HenriquetaPor Dra. Kennya Henriqueta
Médica Ginecologista · CRM-PR 44.535 · RQE 34.171
Publicado em 26 de setembro de 2026
Climatério e menopausa, texto do blog da Dra. Kennya Henriqueta

Muitas mulheres chegam à consulta dizendo que não se reconhecem. Dormem mal, esquecem compromissos, sentem calor fora de hora e se irritam com coisas que antes passavam batido. Nem sempre ligam uma coisa à outra e, muitas vezes, ouvem que é estresse ou que “é da idade”. Boa parte desses sinais tem relação com o climatério, a transição hormonal que antecede a menopausa, e essa fase merece atenção.

Em resumo

  • A menopausa é a última menstruação e só é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar.
  • O climatério é a fase de transição ao redor dela e pode começar anos antes, quando a menstruação ainda vem.
  • Os sinais vão além do calor: sono, humor, memória, libido, região íntima, articulações e corpo.
  • Há tratamentos com e sem hormônio. A escolha depende da sua história e de uma avaliação individual.

Climatério, perimenopausa e menopausa: qual é a diferença?

Os três termos costumam ser usados como sinônimos, mas descrevem momentos diferentes:

  • Climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Começa antes da última menstruação e continua por alguns anos depois dela.
  • Perimenopausa é a parte do climatério em que os ciclos começam a mudar, ficando mais curtos, mais longos ou irregulares, e em que os sintomas costumam aparecer.
  • Menopausa é a última menstruação. Por isso, só é confirmada olhando para trás: depois de 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das mulheres chega à menopausa entre os 45 e os 55 anos. Antes dos 40, ela é precoce e pede investigação.

Os sinais mais comuns (e os que pouca gente associa)

As ondas de calor, os chamados fogachos, são o sintoma mais conhecido. Mas a lista é bem maior:

  • ondas de calor e suor noturno;
  • mudanças no ciclo: menstruação que atrasa, adianta, some por alguns meses ou vem mais intensa;
  • sono ruim, com dificuldade para dormir ou despertares de madrugada;
  • irritabilidade, ansiedade, tristeza e oscilações de humor;
  • dificuldade de concentração e falhas de memória, a chamada névoa mental;
  • ressecamento vaginal, dor na relação e queda da libido;
  • escapes de urina e infecções urinárias mais frequentes;
  • dores nas articulações e rigidez ao acordar;
  • mais gordura na região da barriga, mesmo sem grandes mudanças na balança.

Ainda assim, nem toda mulher sente tudo, e a intensidade varia muito. O ponto é não normalizar o que está atrapalhando a sua vida. Se a mudança no corpo é o que mais incomoda, vale ler também Peso e hormônios: por que a barriga muda depois dos 40. Se o sono, a memória e o humor pesam mais, leia Insônia, névoa mental e ansiedade na menopausa; se são as articulações, Dor nas articulações e ossos na menopausa.

Vídeo da Dra. Kennya Henriqueta sobre menopausa e saúde emocionalAssistir no YouTube
No vídeo, a Dra. Kennya fala sobre a relação entre menopausa, ansiedade e sintomas depressivos.

Por que essa fase importa para a saúde a longo prazo

Além disso, a queda do estrogênio não mexe só com o bem-estar. A OMS lembra que a transição também afeta a composição corporal e o risco cardiovascular, e que a perda de massa óssea na menopausa contribui para o aumento de osteoporose e fraturas.

Por isso, a consulta nessa fase vai além dos sintomas: olha pressão, colesterol, glicemia, composição corporal, saúde dos ossos e os exames de rastreamento em dia.

Quando procurar a ginecologista

Procure avaliação se:

  • os sintomas atrapalham o sono, o trabalho, a vida sexual ou os relacionamentos;
  • a menstruação ficou muito intensa, vem com coágulos grandes ou aparece fora de hora;
  • houve qualquer sangramento depois de 12 meses sem menstruar (isso sempre precisa ser avaliado);
  • os sintomas começaram antes dos 40 anos;
  • você quer saber se a terapia hormonal é uma opção para você.

Como é feito o diagnóstico do climatério e da menopausa

Na maioria das mulheres com mais de 45 anos, o diagnóstico é clínico: é feito pela história dos ciclos e dos sintomas, sem depender de um exame de sangue que “confirme” a menopausa. É o que orientam as diretrizes do NICE, o instituto de excelência clínica do Reino Unido.

Por outro lado, os exames entram para responder outras perguntas: como estão a tireoide, o metabolismo, os ossos e os rastreamentos, e o que mais a sua história indicar. Antes dos 45 anos, ou quando o quadro foge do habitual, a investigação costuma ser mais detalhada.

Tratamento dos sintomas do climatério e da menopausa

Não existe um tratamento único para o climatério. As principais frentes são:

  • Terapia hormonal. Segundo a The Menopause Society (antiga NAMS), é o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e para os sintomas genitais e urinários da menopausa. Para a maioria das mulheres saudáveis com sintomas, com menos de 60 anos e até 10 anos depois da última menstruação, os benefícios superam os riscos. A indicação é individual, e o acompanhamento, periódico.
  • Tratamentos sem hormônio, para quem não pode ou não quer usar hormônio, avaliados caso a caso.
  • Tratamentos locais para o ressecamento e o desconforto na relação.
  • Hábitos que fazem diferença: sono, atividade física com exercícios de força, alimentação e cuidado com a saúde emocional.

O mais importante é decidir em conjunto, com informação clara sobre benefícios, riscos e alternativas. Os riscos reais e os mitos da terapia hormonal estão em Reposição hormonal na menopausa: riscos reais, contraindicações e mitos, e o cuidado com o desejo e a vida sexual, em Libido feminina: por que o desejo cai e por que não é só hormônio.

Perguntas frequentes

Existe um exame que confirma a menopausa?

Na maioria dos casos, não é preciso, porque depois dos 45 anos o diagnóstico costuma ser feito pela história clínica. Os exames de sangue ajudam em situações específicas, por exemplo quando os sintomas começam antes dos 45 anos.

Posso estar no climatério e ainda menstruar?

Sim. Na perimenopausa, a menstruação continua, mas pode mudar de ritmo e de intensidade. Muitos sintomas aparecem justamente nessa fase.

Toda mulher precisa de reposição hormonal?

Não. Algumas mulheres passam pela transição com poucos sintomas; para outras, porém, a terapia hormonal é uma boa opção. A indicação depende dos sintomas, da idade, do tempo desde a última menstruação e do histórico de saúde.

Quanto tempo duram os sintomas?

Varia muito de uma mulher para outra e, em algumas, os sintomas duram anos. Por isso, vale procurar ajuda quando eles começam a atrapalhar, em vez de esperar passar.

Referências

Importante: este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual.

Dra. Kennya Henriqueta

Sobre a autora

Dra. Kennya Henriqueta

Médica Ginecologista · CRM-PR 44.535 · RQE 34.171

Médica ginecologista formada pela PUCPR, em Curitiba. Da primeira menstruação à menopausa, cuida da saúde hormonal e ginecológica da mulher em consultas de cerca de duas horas, presenciais no Água Verde ou on-line.

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