Muitas mulheres chegam à consulta dizendo que não se reconhecem. Dormem mal, esquecem compromissos, sentem calor fora de hora e se irritam com coisas que antes passavam batido. Nem sempre ligam uma coisa à outra e, muitas vezes, ouvem que é estresse ou que “é da idade”. Boa parte desses sinais tem relação com o climatério, a transição hormonal que antecede a menopausa, e essa fase merece atenção.
Em resumo
- A menopausa é a última menstruação e só é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar.
- O climatério é a fase de transição ao redor dela e pode começar anos antes, quando a menstruação ainda vem.
- Os sinais vão além do calor: sono, humor, memória, libido, região íntima, articulações e corpo.
- Há tratamentos com e sem hormônio. A escolha depende da sua história e de uma avaliação individual.
Climatério, perimenopausa e menopausa: qual é a diferença?
Os três termos costumam ser usados como sinônimos, mas descrevem momentos diferentes:
- Climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Começa antes da última menstruação e continua por alguns anos depois dela.
- Perimenopausa é a parte do climatério em que os ciclos começam a mudar, ficando mais curtos, mais longos ou irregulares, e em que os sintomas costumam aparecer.
- Menopausa é a última menstruação. Por isso, só é confirmada olhando para trás: depois de 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das mulheres chega à menopausa entre os 45 e os 55 anos. Antes dos 40, ela é precoce e pede investigação.
Os sinais mais comuns (e os que pouca gente associa)
As ondas de calor, os chamados fogachos, são o sintoma mais conhecido. Mas a lista é bem maior:
- ondas de calor e suor noturno;
- mudanças no ciclo: menstruação que atrasa, adianta, some por alguns meses ou vem mais intensa;
- sono ruim, com dificuldade para dormir ou despertares de madrugada;
- irritabilidade, ansiedade, tristeza e oscilações de humor;
- dificuldade de concentração e falhas de memória, a chamada névoa mental;
- ressecamento vaginal, dor na relação e queda da libido;
- escapes de urina e infecções urinárias mais frequentes;
- dores nas articulações e rigidez ao acordar;
- mais gordura na região da barriga, mesmo sem grandes mudanças na balança.
Ainda assim, nem toda mulher sente tudo, e a intensidade varia muito. O ponto é não normalizar o que está atrapalhando a sua vida. Se a mudança no corpo é o que mais incomoda, vale ler também Peso e hormônios: por que a barriga muda depois dos 40. Se o sono, a memória e o humor pesam mais, leia Insônia, névoa mental e ansiedade na menopausa; se são as articulações, Dor nas articulações e ossos na menopausa.
Assistir no YouTubePor que essa fase importa para a saúde a longo prazo
Além disso, a queda do estrogênio não mexe só com o bem-estar. A OMS lembra que a transição também afeta a composição corporal e o risco cardiovascular, e que a perda de massa óssea na menopausa contribui para o aumento de osteoporose e fraturas.
Por isso, a consulta nessa fase vai além dos sintomas: olha pressão, colesterol, glicemia, composição corporal, saúde dos ossos e os exames de rastreamento em dia.
Quando procurar a ginecologista
Procure avaliação se:
- os sintomas atrapalham o sono, o trabalho, a vida sexual ou os relacionamentos;
- a menstruação ficou muito intensa, vem com coágulos grandes ou aparece fora de hora;
- houve qualquer sangramento depois de 12 meses sem menstruar (isso sempre precisa ser avaliado);
- os sintomas começaram antes dos 40 anos;
- você quer saber se a terapia hormonal é uma opção para você.
Como é feito o diagnóstico do climatério e da menopausa
Na maioria das mulheres com mais de 45 anos, o diagnóstico é clínico: é feito pela história dos ciclos e dos sintomas, sem depender de um exame de sangue que “confirme” a menopausa. É o que orientam as diretrizes do NICE, o instituto de excelência clínica do Reino Unido.
Por outro lado, os exames entram para responder outras perguntas: como estão a tireoide, o metabolismo, os ossos e os rastreamentos, e o que mais a sua história indicar. Antes dos 45 anos, ou quando o quadro foge do habitual, a investigação costuma ser mais detalhada.
Tratamento dos sintomas do climatério e da menopausa
Não existe um tratamento único para o climatério. As principais frentes são:
- Terapia hormonal. Segundo a The Menopause Society (antiga NAMS), é o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e para os sintomas genitais e urinários da menopausa. Para a maioria das mulheres saudáveis com sintomas, com menos de 60 anos e até 10 anos depois da última menstruação, os benefícios superam os riscos. A indicação é individual, e o acompanhamento, periódico.
- Tratamentos sem hormônio, para quem não pode ou não quer usar hormônio, avaliados caso a caso.
- Tratamentos locais para o ressecamento e o desconforto na relação.
- Hábitos que fazem diferença: sono, atividade física com exercícios de força, alimentação e cuidado com a saúde emocional.
O mais importante é decidir em conjunto, com informação clara sobre benefícios, riscos e alternativas. Os riscos reais e os mitos da terapia hormonal estão em Reposição hormonal na menopausa: riscos reais, contraindicações e mitos, e o cuidado com o desejo e a vida sexual, em Libido feminina: por que o desejo cai e por que não é só hormônio.
Perguntas frequentes
Existe um exame que confirma a menopausa?
Na maioria dos casos, não é preciso, porque depois dos 45 anos o diagnóstico costuma ser feito pela história clínica. Os exames de sangue ajudam em situações específicas, por exemplo quando os sintomas começam antes dos 45 anos.
Posso estar no climatério e ainda menstruar?
Sim. Na perimenopausa, a menstruação continua, mas pode mudar de ritmo e de intensidade. Muitos sintomas aparecem justamente nessa fase.
Toda mulher precisa de reposição hormonal?
Não. Algumas mulheres passam pela transição com poucos sintomas; para outras, porém, a terapia hormonal é uma boa opção. A indicação depende dos sintomas, da idade, do tempo desde a última menstruação e do histórico de saúde.
Quanto tempo duram os sintomas?
Varia muito de uma mulher para outra e, em algumas, os sintomas duram anos. Por isso, vale procurar ajuda quando eles começam a atrapalhar, em vez de esperar passar.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Menopause (nota descritiva), 2024.
- The North American Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement. Menopause, 2022.
- NICE. Menopause: identification and management (NG23).


