Acordar com o corpo travado, sentir as mãos rígidas ou os joelhos doendo sem ter mudado nada na rotina. Muitas mulheres culpam o colchão, a academia ou a idade. Mas a transição para a menopausa também mexe com músculos, articulações e ossos, e parte dessas mudanças é silenciosa, como a perda de massa óssea, que não dói e não avisa.
Em resumo
- Dor muscular e nas articulações é muito comum na transição: revisões de estudos encontraram essas dores em 57% a 71% das mulheres na perimenopausa.
- A perda óssea acelera a partir de cerca de um ano antes da última menstruação e segue mais rápida até uns dois anos depois.
- A densitometria é indicada para todas as mulheres a partir dos 65 anos e, antes disso, para quem tem fatores de risco.
- Treino de força e exercícios de impacto e de equilíbrio protegem ossos e músculos; suplemento sem indicação não previne fraturas.
Por que as articulações doem nessa fase
O estrogênio participa da saúde de músculos, tendões, cartilagens e ossos. Em 2024, um grupo de pesquisadores propôs o nome síndrome musculoesquelética da menopausa para reunir as dores articulares, a perda de massa muscular, a perda óssea e a piora da artrose que aparecem com a queda desse hormônio. É um termo novo, ainda sem critérios de diagnóstico definidos, mas ajuda a mostrar que essas queixas estão ligadas.
Essas dores são frequentes: revisões de estudos encontraram dor muscular ou articular em 57% a 71% das mulheres na perimenopausa. O excesso de peso também se associa a mais dor, segundo um estudo com mais de 6 mil mulheres latino-americanas.
Com a terapia hormonal, os estudos mostram uma redução pequena da dor articular. Ela não é tratamento para dor nas juntas, mas pode ajudar quem já tem indicação por outros sintomas.
Assistir no YouTubeOs ossos: uma perda silenciosa
No SWAN, a perda de massa óssea começou cerca de um ano antes da última menstruação e ficou mais rápida até uns dois anos depois, chegando a cerca de 2,5% ao ano na coluna e 1,8% ao ano no colo do fêmur nesse período. Depois, o ritmo caiu para cerca de 1% ao ano.
A consequência aparece anos depois. Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose, 1 em cada 3 mulheres com mais de 50 anos terá uma fratura por osteoporose. A fratura de quadril é a mais grave, com mortalidade alta no primeiro ano.
Quando fazer densitometria
Pelo Protocolo de Osteoporose do Ministério da Saúde, atualizado em 2025, a densitometria é indicada para todas as mulheres a partir dos 65 anos. Antes disso, a FEBRASGO orienta fazer o exame no climatério quando há pelo menos um fator de risco, como:
- menopausa antes dos 45 anos;
- baixo peso;
- tabagismo;
- uso prolongado de corticoide;
- fratura depois de uma queda simples;
- pai ou mãe com fratura de quadril;
- artrite reumatoide;
- consumo de 3 ou mais doses de álcool por dia.
Uma ferramenta chamada FRAX, que tem versão calibrada para o Brasil, ajuda a estimar o risco de fratura e a decidir quando o exame é necessário. O resultado da densitometria é lido junto com esse risco, porque muitas fraturas acontecem em mulheres com osteopenia, e não só com osteoporose. Os outros exames de rotina estão em Preventivo, DNA-HPV e mamografia: quais exames de rotina fazer e quando.
O que protege ossos e articulações
- Treino de força 2 a 3 vezes por semana, com carga que aumenta aos poucos. Veja por que o músculo importa em Emagrecer preservando o músculo.
- Exercícios de impacto, na intensidade que cada uma tolera, na maioria dos dias. Caminhar faz bem ao coração, mas sozinho pode não dar ao osso o estímulo de que ele precisa. Quem já teve fratura de vértebra ou várias fraturas por fragilidade deve limitar o impacto ao de uma caminhada rápida.
- Equilíbrio: exercícios de equilíbrio 3 ou mais vezes por semana, como o tai chi, reduzem quedas.
- Cálcio pela alimentação em primeiro lugar. Suplementos de cálcio e vitamina D sem indicação não previnem fraturas na população geral; a necessidade é avaliada caso a caso.
- Sem cigarro e com pouco álcool, dois fatores de risco para osteoporose.
A terapia hormonal previne a perda óssea e reduz fraturas, e pode ser uma opção para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos depois da menopausa que tenham indicação. Para quem já tem osteoporose, costumam ser preferidos outros medicamentos. Veja mais em Reposição hormonal na menopausa.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação se:
- a articulação está inchada, quente ou vermelha;
- a rigidez ao acordar dura mais de 30 minutos, ou há dor e inchaço em várias articulações, principalmente das mãos e dos pés;
- há febre, perda de peso sem explicação ou dor que piora rápido;
- você teve uma fratura depois de uma queda simples;
- a dor começou depois de um trauma.
Esses sinais podem indicar outras doenças, como as artrites inflamatórias, que precisam de avaliação e, às vezes, de um reumatologista. Na consulta com a Dra. Kennya, a avaliação inclui os fatores de risco para osteoporose e a indicação da densitometria no momento certo.
Perguntas frequentes
Toda dor nas juntas na menopausa é hormonal?
Não. É comum, mas sinais como inchaço, calor, rigidez prolongada ao acordar e dor em várias articulações das mãos e dos pés pedem investigação de outras causas.
Preciso tomar cálcio e vitamina D?
Não necessariamente. Na população geral, suplementar sem indicação não mostrou prevenção de fraturas. O cálcio deve vir primeiro da alimentação, e a suplementação é decidida caso a caso, por exemplo em quem já tem osteoporose ou deficiência.
Quem tem osteoporose pode fazer exercício?
Pode e deve, com orientação e supervisão. Quem tem osteoporose deve evitar dobrar muito a coluna para a frente, principalmente com peso, como nos abdominais tradicionais; quem já teve fratura de vértebra deve limitar o impacto ao de uma caminhada rápida.
Referências
- Wright VJ et al. The musculoskeletal syndrome of menopause. Climacteric, 2024.
- Lu CB et al. Musculoskeletal pain during the menopausal transition: a systematic review and meta-analysis. Neural Plasticity, 2020.
- Kruse C et al. Musculoskeletal manifestations of perimenopause: a systematic review and meta-analysis of 93,021 women. JB and JS Open Access, 2026.
- Greendale GA et al. Bone mineral density loss in relation to the final menstrual period in a multiethnic cohort: results from SWAN. Journal of Bone and Mineral Research, 2012.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose (Portaria Conjunta nº 22), 2025.
- FEBRASGO. Propedêutica mínima no climatério (Position Statement nº 5). Femina, 2022.
- Brooke-Wavell K et al. Strong, steady and straight: UK consensus statement on physical activity and exercise for osteoporosis. British Journal of Sports Medicine, 2022.


